Do vermelho ao nude, longe de quem costumava ser.

em 14 de agosto de 2017


Ela acordou e decidiu que naquele dia faria tudo diferente.

Não tinha pressa nenhuma, preferiu não pensar em tudo de uma vez, apenas naquilo que seu coração lhe pediu para pensar e agiu conforme sua alma a intuía a fazer. Então ela esticou os lençóis na cama, separou seu jeans preferido, escovou o cabelo e de tão minimalista preferiu o rímel e um tom nude nos lábios ao vermelho que tanto gostava de compor com delineado.

“Hoje eu preciso andar um pouco sozinha.” – Ela disse.
E no seu tom de voz sentia-se o coração clamar por uma auto descoberta, era quase possível ouvir a alma dizer o quanto precisava espairecer naquele dia tão lindo que se fez já perto dos últimos meses do ano.
Não hesitou em faltar ao trabalho, tampouco pensou nas milhares de paranoias que costumavam fervilhar em sua mente enquanto por fora, todos a viam na mais pura serenidade.

Ela caminhou sem pressa, deixou o vento bagunçar seu cabelo e pouco a pouco era como se deixasse para trás todo aquele passado que um dia a machucou. Sentiu seu coração ficar mais leve e então sentou-se frente ao mirante, tão linda se fazia aquela vista e ela apenas observava. Podia achar que não pensava em nada, mas como mágica tudo começou a fazer sentindo e na mais pura espontaneidade ela sorrio. Sorrio porque sabia que aquele momento valeria cada hora que precisaria repor no serviço, sorrio porque aquele momento valeria ter passado a manhã inteira de um dia sem ter feito grandes coisas porque ela realmente precisa fazer nada mesmo, longe da rotina, longe de quem estava acostumada a ser para poder descobrir quem ela estava se tornando, quem gostaria de ser.

Na bolsa aquele caderno que havia comprado lá nos primeiros meses do ano esperando para guardar tudo o que ela mais queria escrever, tudo o que ela mais queria fazer. Trocou o almoçou por um café gelado, ali na cafeteria da esquina, ignorou os olhares alheios para tirar uma selfie na mesa, naquele estilo que todos adoram fazer. Ela estava sendo uma ótima companhia para si e não fazia questão de esconder tamanha satisfação.

Da manhã no mirante a tarde no shopping, ela passou aquele dia como há tempos queria e percebeu como lhe fez bem o sol pela manhã, o café no lugar do almoço e aquelas horas que pareciam terem sido perdidas na escrita ou por preferir apenas ter pensado em nada e conseguir resolver tudo que precisava.


“Que bom poder ter reencontrado você, que estava aqui dentro tão perdida em mim... Seja bem vinda de volta.” – disse ela já em casa, grata.
Comente com sua conta Blogger
Comente com sua conta Facebook
Comente com sua conta Google+

2 comentários :

  1. Adorei o texto e entendo perfeitamente essa emoção. Ás vezes é preciso reencontrarmo-nos e viver um pouco mais para nós. Este ano foi o ano em que descobri um bocadinho de mim que nunca tinha encontrado.

    All We Need Is... | Facebook | Instagram

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom que gostou, obrigada flor. É verdade, as vezes é preciso mesmo, rs. Beijos

      Excluir



WeHeartit

Categorias

Topo